ensino fundamental I

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orientação familiar e pedagógica

compreendendo o filho adotivo

O filho adotado não vem de fora;
vem de dentro, do mesmo modo que
o filho, biologicamente gerado, vem
de dentro e não de fora. Se a adoção se
efetiva, em muitos casos, como
consequência de transtornos biológicos,
fisiológicos ou psicológicos, a
geração biológica de um filho nem
sempre ocorre dentro dos
padrões ideais de expectativa.

Isso nos leva a pensar que, certamente,
não seria estranho usar a mesma
expressão para as duas situações: tanto
os que têm filhos biológicos quanto os
que os têm por adoção geram
verdadeiramente seus filhos.


A inexistência dos laços genéticos não
invalida as ligações parentais. Decidir
ter um filho é muito mais do que
decidir-se pela procriação; é dispor-se
à criação de uma pessoa com tudo o
que representa a sua individualidade,
mesmo que nos desagrade e destrua
parte dos nossos sonhos. É preciso
compreender que os sonhos, no que
se refere aos projetos de vida, são
meros andaimes; são esboços que
serão modificados, aperfeiçoados,
substituídos segundo a necessidade
da pessoa que cresce e toma
a sua forma própria.

Os processos de criação e educação
são elementos coadjuvantes de ajuda e
apoio, mas não de amordaçamento.


A consciência desse fato nos leva a um
momento de maturidade de profunda
importância quando percebemos que
as nossas expectativas em relação aos
filhos podem ser desautorizadas e
anuladas por eles mesmos.
Sem o conhecimento dos antecedentes
familiares, haverá a tendência de se
interrogar sobre a sanidade física e
mental da ascendência do filho adotado.
É como se, dessa maneira, estivéssemos
sempre correndo riscos de sermos
surpreendidos com a descoberta de
deficiências no filho que adotamos.
Em contrapartida, fica subjacente
a ideia de que a criança que é gerada
e criada por seus próprios pais terá
uma história genealógica composta
de personagens saudáveis, sem
distúrbios físicos ou distorções
de comportamento. Esquecemo-nos
de que conhecemos quase nada
(ou nada) dos nossos antepassados.

 

Extraído do livro Compreendendo
o Filho Adotivo
, do psicólogo
Luiz Schettini Filho, editora Bagaço